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Padrão de Resposta
Desde o reatamento das relações diplomáticas com a China, em 1974, graças à
política externa brasileira mais assertiva e à distensão ideológica no plano internacional, as
relações entre o Brasil e a China são pautadas por um constante adensamento e
intensificação dos fluxos comerciais. Em 2003, a China foi nosso 3º parceiro comercial e as
relações bilaterais foram estimadas em 8 bilhões de dólares. Desde 1993, com a visita do
mandatário chinês, Jiang Zemin, ao Brasil, foi estabelecida uma parceria estratégica entre o
maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental com o maior país em
desenvolvimento do hemisfério oriental. Ambos são países de dimensões continentais, com
grande população e significativo peso econômico, o que levou Kennan a descrevê-los como
países monstros. Quando se analisa a China, porém, os números em relação ao Brasil são
assimétricos. A China possui 1,3 bilhão de habitantes, um PIB estimado em 1,3 trilhão de
dólares, reservas cambiais de 450 bilhões de dólares e é o 3º maior importador mundial e o
4º maior exportador, o que a torna parte do cálculo político de qualquer nação nas relações
internacionais. O Brasil apresenta um relacionamento profícuo com a China. Na vertente
político-diplomática, ambos os países são defensores do multilateralismo no plano
internacional e apresentam surpreendente convergência de opiniões que pode ser mensurada
pela quantidade de votos similares nas diversas instâncias das Nações Unidas. Na vertente
científico-tecnológica, China e Brasil desenvolvem importante projeto na área de cooperação
espacial, o satélite CBRES (China-Brazil Resources Earth Satellite). Dois satélites já foram
lançados e espera-se o lançamento de mais dois. Por se tratar de cooperação em área de
tecnologia de ponta, o CBRES é considerado projeto modelo de cooperação Sul-Sul. Além do
CBRES, planeja -se aumentar o intercâmbio de informações e a cooperação na área de
energias renováveis, em especial no que diz respeito à tecnologia brasileira na área sucroalcooleira. Na vertente econômico-comercial, o País já há algum tempo estreita as relações
com a China. Apesar de o País exportar majoritariamente produtos de base, como soja e
minério de ferro, a tendência é que a pauta exportadora melhore qualitativamente e
quantitativamente. Foi concluída uma joint-venture entre a brasileira Embraer e a chinesa
AVIC-II a fim de construir aviões ERJ-145 em território chinês. Outra joint-venture
importante foi a realizada entre ηCVRD e a BaoSteel na área de minérios. No sentido de
catalisar as relações entre os dois países, a visita do presidente Lula à China é marcante,
embora o relacionamento seja marcado por visitas de alto nível. Tal iniciativa do governo
corrobora com a diretriz governamental de modificar a geografia econômico-comercial do
Brasil, o que implica intensificar o relacionamento Sul-Sul. É importante destacar que o
adensamento dos laços político-comerciais com a China é considerado prioridade da política
externa nacional, como explicitado nos discursos de posse tanto do Presidente Lula quanto
do Chanceler Celso Amorim e em vários discursos em oportunidades subseqüentes. Na visita
à China, foram assinados 24 acordos comerciais e de cooperação. Nessa oportunidade a
Petrobrás abriu escritório comercial na China e firmou acordo com a estatal chinesa da área
de petróleo – SINOPEC, para projetos de prospecção conjuntos. Também foi firmado acordo
entre a CVRD e a estatal chinesa Chalco para exploração de alumínio. Uma das iniciativas
de relevo da visita foi o desejo do governo chinês em investir em projetos de infra -estrutura
no Brasil. Cabe destacar que a China é importante investidora internacional e pode vir a
suprir parcialmente a carência brasileira de capitais. Tal ato também servirá para equilibrar
a balança de investimentos entre os dois países, pois, atualmente, há mais investimentos do
Brasil na China do que o contrário. Em decorrência da importância da China no plano
internacional e da tradicional parceria estratégica entre as duas nações, a aproximação do
Brasil com a China torna-se prioridade a fim de que a política externa nacional cumpra seu
papel precípuo de alavancar o desenvolvimento do País