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Padrão de Resposta
O revigoramento do Mercosul tem papel preponderante na política externa brasileira.
Um Mercosul forte serve aos propósitos brasileiros nos diversos níveis de sua política
externa: sub-regional (Cone Sul, América do Sul), regional (América Latina), hemisférico
(Américas) e global. Em todos estes contextos, a importância do Mercosul se mostra nas
ações brasileiras afetas aos grandes “eixos” da política internacional: o eixo político e o
econômico.
Uma das prioridades da política externa brasileira, nos dias atuais, é a consolidação
do perfil de “global player”. Com esse objetivo, o País busca melhorar – qualitativa e
quantitativamente – sua inserção internacional, a fim de acelerar seu desenvolvimento.
Para desenvolver-se, o Brasil procura fazer novas parcerias estratégicas e consolidar
as antigas, e o Mercosul é fundamental ao êxito de tais iniciativas.
No que se refere à capacidade brasileira de exporta r – as exportações trazem ao país capitais
com que expandir e aperfeiçoar sua base industrial –, o Mercosul desempenha um papel de
“cliente preferencial”: a complementaridade das economias dos membros, a proximidade e
as facilidades proporcionadas pelo Mercado Comum dão à indústria nacional escala para a
aumentar a competitividade e melhorar sua inserção no restante do globo. Além disso,
aumentam a rentabilidade dos investimentos nas indústrias brasileiras, o que atrai
investimentos diretos externos.
Outro fator importante – ainda relativo a economia e comércio – é o peso que o
Mercosul ganha nas negociações com outros blocos e países. Junto, o Mercado Comum
consegue melhores resultados que os que seriam obtidos pelos membros separadamente.
Exemplo disso são as negociações com a União Européia e as negociações para a criação da
Alca.
Num caso como noutro, a posição brasileira estaria enfraquecida na inexistência ou
debilidade do Mercosul, pois os demais membros seriam tentados a aderir às posições norteamericanas ou européias, conforme o caso, isolando o Brasil.
Em outros contextos – como G-20, G-77, acordos com África do Sul, China e Índia –
em que as agendas não são conflitivas como em outras negociações mencionadas, a
participação brasileira – seja individual ou como parte do Mercosul – também ganha
importância pela concertação proporcionada pelo Mercosul. A “afinação” impulsiona a
atuação individual dos membros nos foros multilaterais. Nas negociações com outros países
periféricos, a participação do Mercosul como bloco aumenta a “atratividade”.
Já na OMC, os benefícios que o Mercosul representa combinam as duas vertentes
acima citadas, conforme o tema em pauta na organização.
No campo político, em que a importância regional e sub-regional do brasil reflete -se
em maior preeminência global, o Mercosul também é fundamental aos interesses brasileiros.
Na medida em que o chamado “Mercosul Político” ganha força, aumentam a
importância brasileira nas questões globais e a legitimidade dos pleitos nacionais por maior
participação na política mundial.
Nos foros multilaterais de natureza política, principalmente ONU e OEA, a
convergência das posições dos membros do Mercosul facilita a formulação da estratégia
brasileira, na medida em que diminui a imprevisibilidade da repercussão das iniciativas do
País.
Também nesses foros, mas extensível às várias outras negociações globais de que o
Brasil participa, iniciativas ligadas ao Mercosul reforçam a legitimidade brasileira. Ademais
da tradição de resolver pacificamente suas controvérsias, respeitar autodeterminação e nãoingerência em assuntos internos alheios, o Brasil pode contar com o simbolismo político de
atos como a Declaração do Mercosul como Zona de Paz e a inserção de “cláusula
democrática” nos acordos do Mercado Comum para auferir maior legitimidade.
Exemplo disso é a adesão ao TNP, que se deu depois que Brasil e Argentina firmaram
acordos de não-proliferação nuclear e permitiu ao País participar mais efetivamente dos
fluxos internacionais de tecnologias sensíveis e das negociações referentes às mudanças no
regime de não -proliferação nuclear. Embora os acordos entre Brasil e Argentina não tenham
sido negociados no âmbito do Mercosul, foram facilitados pela aproximação que o Mercado
Comum proporcionou e contribuíram para a consolidação do “Mercosul Político”. Neste
momento de revigoramento, os ganhos políticos são reforçados pelo fato de que fica claro
para a sociedade internacional que a intenção integrativa do Mercosul é permanente e que –
em questões de segurança, defesa e não-proliferação, assim como no tema da defesa da
democracia – as posições do Mercosul convergem para um compromisso com a cooperação,
a segurança e a paz.