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Marcada pelo crescimento econômico diferenciado, que registra taxas de 5,1% ao
ano, com um Produto Interno Bruto de cerca de 1,4 trilhão de dólares, um regime político
centralizado e acentuado crescimento demográfico, a China entra, na década de 90, como um
ator de extrema relevância ao sistema internacional. Apelidada por George Kennan de um
dos “países gigantes” (“giant countries”), a China tem procedido a uma abertura gradual de
seu regime político monolítico da década de 60, sobretudo pelas gestões de Deng Xiaoping,
que reestruturou o país nas décadas de 70 e 80, abrindo-o à economia de mercado, e de
Jiang Zemin, artífice do crescimento econômico e da modificação estrutural por que o país
vem passando durante a década de 90. Por fim, Hu Jintao, sucessor de Zemin, vem
conduzindo o país rumo a ser potência mundial dos próximos quinze anos.
A “ascensão política” que vem a China desenvolvendo ao longo da década de 90 deve
ser entendida no contexto das relações internacionais do período. A China é uma potência
nuclear e integra o Conselho de Segurança da ONU. Tal posição faz com que os principais
países que ombreiam a China em matéria de segurança e recursos de poder realizem uma
leitura “realista” do papel do país: qualquer eventual conflito com o gigante chinês parece
ser prejudicial a todos, visto o potencial militar do país.
Isso posto, é importante destacar que o desenvolvimento chinês se fez mediante a
relativa ausência de conflito na região asiática, não obstante a crescente animosidade entre
Formosa (Taiwan) e China, que afirma que aquela ilha integra o país continental.
O desenvolvimento chinês tem beneficiado os países da região. A chamada “revoada
dos gansos”, em que a China, com sua pujança econômica, puxa as demais economias da
região em direção à dinamização, é relevante. A China é importante importadora de bens
primários, com destaque para alumínio, ferro, soja e açúcar, e exportadora de produtos não
duráveis industriais, além de outros. O país possui importantes acordos de cooperação e de
comércio com os países do entorno, com destaque para o Vietnã, Coréia, Hong Kong e
Japão.
A entrada da China na OMC deve trazer benefícios adicionais ao país. Um desafio
que traz, contudo, é a falta de transparência do mercado chinês, com emprego de mão-deobra barata. Isso tem produzido contenciosos importantes com vários de seus parceiros
comerciais, a exemplo da União Européia e dos Estados Unidos.
O impacto ambiental que deverá trazer a China nos próximos quinze anos, por sua
vez, parece bastante significativo, com projeções de maiores emissões antrópicas de gases do
efeito estufa (GEE), ultrapassando os Estados Unidos. A carência por energia, por fim,
deverá pautar a agenda de negociação chinesa, com destaque para a importação de etanol de
países como o Brasil e o desenvolvimento de novas matrizes energéticas próprias.