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Padrão de Resposta
Brasil e Japão são parceiros políticos e econômicos de longa data. Recentemente,
contudo, em função da formação e consolidação do Mercosul e também devido às crises
econômicas dos Tigres Asiáticos e do Brasil na década de 1990, esses países afastaram-se. A
atual política externa brasileira (PEB) tem como um de seus objetivos reaproximar o País do
Japão. Várias iniciativas foram implementadas nesse sentido.
Na década de 1970, Brasil e Japão viviam projetos econômicos de inserção na
economia mundial radicalmente distintos. Por um lado, o Brasil dava continuidade ao seu
processo de substituição de importações, baseado na associação entre capital privado
nacional e investimentos externos (diretos e empréstimos) e governamentais (estes na área de
infraestrutura). O Japão, por outro lado, organizava sua indústria voltando-a para a
exportação de bens de alto valor agregado. A acumulação de poupança interna e os
investimentos em tecnologia eram, dessa forma, essenciais para o projeto de recuperação
econômica japonês. Tal disparidade, no entanto, não inviabilizou o comércio e as relações
diplomáticas entre os países.
Protecionista, o Brasil não foi grande importador de manufaturados japoneses
durante os anos 1970. Por outro lado, já era um importante exportador de bens primários
para esse país. Data dessa década, inclusive, o Projeto de Desenvolvimento do Cerrado
(PRODECER), que logrou sucesso em introduzir o cultivo de soja na região Centro-Oeste. O
projeto, atualmente em sua terceira etapa, foi em grande parte financiado por capital
japonês, já que o Japão desejava emancipar-se da dependência da soja norte-americana. O
PRODECER foi responsável também por alçar a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (EMBRAPA) a uma empresa de ponta no setor agrícola.
Atualmente, o Japão é grande investidor no Brasil. Entre os investimentos diretos,
destacam-se as montadoras de automóveis Toyota e Honda. O governo japonês, por meio de
sua agência de desenvolvimento, tem importantes projetos no Brasil. Merecem ser citados o
projeto de prevenção de enchentes no Rio Tietê, em São Paulo, e o projeto de despoluição da
Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, além do já mencionado PRODECER. Em termos de
investimentos, cabe também lembrar que o Japão tem interesse em participar da viabilização
do projeto de integração sul-americana, IIRSA, na construção e financiamento de rodovias,
barragens e demais obras de infraestrutura.
Se o Brasil continua sendo grande exportador de produtos primários para o Japão –
como o era na década de 1970 –, com destaque para a soja e os minérios empregados em
indústrias de tecnologia de ponta, o País passou a importar cada vez mais produtos
japoneses. A abertura comercial dos anos 1990 foi determinante nesse sentido. Além de
fábricas do setor automotivo, indústrias de outros bens de consumo como televisores e
eletroeletrônicos também se instalaram no País.
Em termos de cooperação, destaca-se o recente Fórum de Cooperação América
Latina – Ásia do Leste (FOCALAL), criado nos anos 1990. O objetivo desse órgão foi
reaproximar as duas regiões e ampliar o conhecimento mútuo sobre suas realidades locais.
Em 1999, o Brasil firmou com o Japão a “Aliança para o Século XXI”, a qual restabeleceu
entre as nações o mesmo diálogo de alto nível que mantinham em anos anteriores,
notadamente na década de 1970.
Uma das mais novas e promissoras parcerias entre os dois países diz respeito à
televisão digital. Em recente acordo, o Brasil comprometeu-se a adotar o padrão japonês de
TV digital em troca de transferência de tecnologia em setores de ponta, como os
semicondutores.
O relacionamento saudável entre Brasil e Japão também se fez sentir recentemente em
foros multilaterais. Os países são parceiros de G-4 e convergem em relação à necessidade
eminente de reformar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em termos populacionais, o Brasil concentra a maior comunidade japonesa fora do
Japão. Se o País sempre foi um receptor de imigrantes, atualmente ele é ponto de partida de
fluxos migratórios. Merece destaque, nesse sentido, o recente “fenômeno decasségui” –
brasileiros descendentes de japoneses que voltam à terra natal de seus pais e avós em busca
de trabalho. Grande parte das transferências unilaterais do balanço de pagamentos
brasileiro advém daí. Cabe destacar que essa aproximação também é responsável por uma
empatia cultural, reforçando em termos de vínculos humanos as relações entre Brasil e
Japão.
Assim como ocorre com as demais parcerias tradicionais, a atual ênfase da PEB na
cooperação sul-sul não prejudica a relação Brasil-Japão. Iniciativas recentes têm apontado
para o incremento dessa parceria. As relações bilaterais entre os países tende a aumentar,
seja por meio do comércio e dos investimentos, seja por conta dos fluxos migratórios, seja
pelo entendimento mútuo em foros diplomáticos multilaterais