A crescente aproximação com os grandes países emergentes constitui uma nova
perspectiva aberta pela política externa brasileira. Discorra sobre essa aproximação,
destacando os interesses que a orientam.
A crescente aproximação com os grandes países emergentes constitui uma nova
perspectiva aberta pela política externa brasileira. Discorra sobre essa aproximação,
destacando os interesses que a orientam.
A aproximação do Brasil com os grandes países emergentes condiz com o interesse do
Governo em compatibilizar as negociações Norte-Sul com a perspectiva de cooperação Sul-
Sul. O protagonismo da diplomacia brasileira, ao promover o incremento das relações
políticas e comerciais com países como China, Índia e África do Sul, vincula-se à criação de
parcerias coesas, que propiciem a seus membros maior poder de negociação nos foros
internacionais e que permitam a expansão do comércio, como forma de aumentar a
competitividade dos parceiros. Além de vantagens econômicas, a concertação políticoestratégica permite aos países emergentes o intercâmbio de informações valiosas no combate
a dificuldades comuns, como o subdesenvolvimento.
O Governo Brasileiro, ao aproximar-se dos grandes países emergentes, não pretende
substituir seus parceiros tradicionais no cenário mundial. As parcerias com países
desenvolvidos, como os Estados Unidos, e com blocos, como a União Européia, continuam
imprescindíveis. O objetivo da diplomacia brasileira, contudo, é ampliar sua inserção
internacional. A associação com países em desenvolvimento possui um caráter antihegemônico e pragmático. Ao respeitar princípios históricos, a política externa nacional
demonstra continuidade, atuando com autonomia, independência e universalismo.
Nesse contexto, parcerias com a China, a Índia e a África do Sul devem ser
ressaltadas. A aproximação com a China ocorreu ainda no período da Guerra Fria, no qual
o Brasil procurava alternativas à rigidez do conflito Leste-Oeste. Na década de 1970, dotado
de maior margem de manobra, devido ao enfraquecimento político dos Estados Unidos,
provocado pela Guerra do Vietnã, o Brasil restabeleceu, em 1974, relações diplomáticas com
o Governo chinês. À época, a política externa brasileira voltava-se à defesa de um maior
protagonismo para os países do Terceiro Mundo no cenário internacional, e a concertação
com a China ofereceria legitimidade e credibilidade à demanda brasileira. Superadas as
dificuldades internas da década de 1980, durante a qual o Governo brasileiro necessitou
atuar na reforma do Estado e na superação da crise econômica, Brasil e China tornaram a
aproximar-se. A cooperação no G77, no âmbito do GATT 47, demonstrou a convergência das
demandas dos parceiros.
Na atualidade, a cooperação sino-brasileira é crescente e promissora. A parceria
estratégica elaborada nas últimas décadas permitiu aos países desenvolver trabalhos
conjuntos na área de cooperação técnica e científico-tecnológica, como a construção de
satélites de sensoriamento remoto, por meio do projeto CBERS, de 1988. Além disso, o
Governo chinês tem demonstrado interesse na tecnologia de ponta brasileira para a
exploração de petróleo em águas profundas. A abertura de um escritório da Petrobras em
Pequim indica a possibilidade de uma parceria, não apenas em território chinês, mas também
em terceiros países, incluindo África e Oriente Médio, por meio de um consórcio entre a
Petrobras e a chinesa Sinopec para exploração e produção de hidrocarbonetos. Em busca de
vantagens competitivas internacionais, os governos têm promovido parcerias no setor
automobilístico, aeronáutico e siderúrgico. Neste último, a Companhia Vale do Rio Doce e a
chinesa Baosteel associaram-se para a produção de aço e alumínio.
Índia e África do Sul tornaram-se, também, parceiros importantes para relações
bilaterais e para atuação conjunta. O Fórum de Diálogo IBAS, criado em 2003, é resultado
da necessidade crescente dos países emergentes de fortalecerem suas posições estratégicas e
políticas no contexto mundial. O IBAS, além de fórum de concertação de interesses, atua em
áreas sensíveis aos países, como o combate ao subdesenvolvimento. Suas ações transcendem
o relacionamento entre seus parceiros e localizam-se em países como o Haiti, a Guiné-Bissau
e o Sri Lanka.
O G20, grupo liderado pelo Brasil com o auxílio de grandes países emergentes, é
outra demonstração do pragmatismo da política externa brasileira, voltada à busca de
instrumentos que possibilitem o desenvolvimento nacional em particular, e o dos países
subdesenvolvidos em geral. Criado em Cancun, em 2003, no âmbito das discussões da
Rodada Doha, o G20 significou o relançamento da postura reivindicatória brasileira, a
retomada do protagonismo externo e a criação de um novo modelo de cooperação Sul-Sul.
Por seu lado, o G4, grupo formado por Brasil, Índia, Japão e Alemanha, é uma alternativa
para promover a reestruturação do sistema internacional, por meio da reforma da
Organização das Nações Unidas.
O incremento do intercâmbio comercial auxilia o Brasil em suas demandas
políticas, visto que o aumento da competitividade proporciona aos países emergentes
alternativas para o desenvolvimento. A política externa brasileira, por meio de contatos
bilaterais e por meio do Mercosul, visa à equalização das relações Norte-Sul. O Governo
Brasileiro pretende alterar a distribuição da riqueza e do poder mundial, não apenas
estreitando o relacionamento com as potências emergentes, mas aproximando-se, também, da
América Latina e do continente africano, por meio de parcerias do Mercosul com a SACU e
com a SADC. A diplomacia brasileira tem-se orientado por perspectivas pragmáticas e
efetivas. O aumento do protagonismo do país nos últimos anos e a crescente atenção
internacional às suas demandas indicam que a decisão de aproximar-se dos países
emergentes, como alternativa ao mundo desenvolvido, tem sido acertada.
A aproximação do Brasil com os grandes países emergentes condiz com o interesse do
Governo em compatibilizar as negociações Norte-Sul com a perspectiva de cooperação Sul-
Sul. O protagonismo da diplomacia brasileira, ao promover o incremento das relações
políticas e comerciais com países como China, Índia e África do Sul, vincula-se à criação de
parcerias coesas, que propiciem a seus membros maior poder de negociação nos foros
internacionais e que permitam a expansão do comércio, como forma de aumentar a
competitividade dos parceiros. Além de vantagens econômicas, a concertação políticoestratégica permite aos países emergentes o intercâmbio de informações valiosas no combate
a dificuldades comuns, como o subdesenvolvimento.
O Governo Brasileiro, ao aproximar-se dos grandes países emergentes, não pretende
substituir seus parceiros tradicionais no cenário mundial. As parcerias com países
desenvolvidos, como os Estados Unidos, e com blocos, como a União Européia, continuam
imprescindíveis. O objetivo da diplomacia brasileira, contudo, é ampliar sua inserção
internacional. A associação com países em desenvolvimento possui um caráter antihegemônico e pragmático. Ao respeitar princípios históricos, a política externa nacional
demonstra continuidade, atuando com autonomia, independência e universalismo.
Nesse contexto, parcerias com a China, a Índia e a África do Sul devem ser
ressaltadas. A aproximação com a China ocorreu ainda no período da Guerra Fria, no qual
o Brasil procurava alternativas à rigidez do conflito Leste-Oeste. Na década de 1970, dotado
de maior margem de manobra, devido ao enfraquecimento político dos Estados Unidos,
provocado pela Guerra do Vietnã, o Brasil restabeleceu, em 1974, relações diplomáticas com
o Governo chinês. À época, a política externa brasileira voltava-se à defesa de um maior
protagonismo para os países do Terceiro Mundo no cenário internacional, e a concertação
com a China ofereceria legitimidade e credibilidade à demanda brasileira. Superadas as
dificuldades internas da década de 1980, durante a qual o Governo brasileiro necessitou
atuar na reforma do Estado e na superação da crise econômica, Brasil e China tornaram a
aproximar-se. A cooperação no G77, no âmbito do GATT 47, demonstrou a convergência das
demandas dos parceiros.
Na atualidade, a cooperação sino-brasileira é crescente e promissora. A parceria
estratégica elaborada nas últimas décadas permitiu aos países desenvolver trabalhos
conjuntos na área de cooperação técnica e científico-tecnológica, como a construção de
satélites de sensoriamento remoto, por meio do projeto CBERS, de 1988. Além disso, o
Governo chinês tem demonstrado interesse na tecnologia de ponta brasileira para a
exploração de petróleo em águas profundas. A abertura de um escritório da Petrobras em
Pequim indica a possibilidade de uma parceria, não apenas em território chinês, mas também
em terceiros países, incluindo África e Oriente Médio, por meio de um consórcio entre a
Petrobras e a chinesa Sinopec para exploração e produção de hidrocarbonetos. Em busca de
vantagens competitivas internacionais, os governos têm promovido parcerias no setor
automobilístico, aeronáutico e siderúrgico. Neste último, a Companhia Vale do Rio Doce e a
chinesa Baosteel associaram-se para a produção de aço e alumínio.
Índia e África do Sul tornaram-se, também, parceiros importantes para relações
bilaterais e para atuação conjunta. O Fórum de Diálogo IBAS, criado em 2003, é resultado
da necessidade crescente dos países emergentes de fortalecerem suas posições estratégicas e
políticas no contexto mundial. O IBAS, além de fórum de concertação de interesses, atua em
áreas sensíveis aos países, como o combate ao subdesenvolvimento. Suas ações transcendem
o relacionamento entre seus parceiros e localizam-se em países como o Haiti, a Guiné-Bissau
e o Sri Lanka.
O G20, grupo liderado pelo Brasil com o auxílio de grandes países emergentes, é
outra demonstração do pragmatismo da política externa brasileira, voltada à busca de
instrumentos que possibilitem o desenvolvimento nacional em particular, e o dos países
subdesenvolvidos em geral. Criado em Cancun, em 2003, no âmbito das discussões da
Rodada Doha, o G20 significou o relançamento da postura reivindicatória brasileira, a
retomada do protagonismo externo e a criação de um novo modelo de cooperação Sul-Sul.
Por seu lado, o G4, grupo formado por Brasil, Índia, Japão e Alemanha, é uma alternativa
para promover a reestruturação do sistema internacional, por meio da reforma da
Organização das Nações Unidas.
O incremento do intercâmbio comercial auxilia o Brasil em suas demandas
políticas, visto que o aumento da competitividade proporciona aos países emergentes
alternativas para o desenvolvimento. A política externa brasileira, por meio de contatos
bilaterais e por meio do Mercosul, visa à equalização das relações Norte-Sul. O Governo
Brasileiro pretende alterar a distribuição da riqueza e do poder mundial, não apenas
estreitando o relacionamento com as potências emergentes, mas aproximando-se, também, da
América Latina e do continente africano, por meio de parcerias do Mercosul com a SACU e
com a SADC. A diplomacia brasileira tem-se orientado por perspectivas pragmáticas e
efetivas. O aumento do protagonismo do país nos últimos anos e a crescente atenção
internacional às suas demandas indicam que a decisão de aproximar-se dos países
emergentes, como alternativa ao mundo desenvolvido, tem sido acertada.