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Padrão de Resposta
O Brasil integra, atualmente, diversos foros internacionais de negociação e
deliberação. Nos últimos anos, a diplomacia brasileira passou a participar dos mais diversos
regimes internacionais, sobre os mais variados temas. A estratégia de participar para
transformar se reflete na postura propositiva do país, que congrega diferentes atores nos
foros de cuja criação fez parte. A via da negociação tem sido constantemente privilegiada e
estimulada pela política externa brasileira, que “optou por trocar a estática da confrontação
pela dinâmica da cooperação”, nas palavras do Presidente Lula.
A “multipolaridade sem multilateralismo”, denunciada por Jochen Prantl, é uma das
principais críticas da diplomacia brasileira ao sistema internacional pós-Guerra Fria. O
multilateralismo, nas palavras do Chanceler Celso Amorim, “é a expressão jurídica da
multipolaridade”. O poder econômico, político e até mesmo militar vem se mostrando cada
vez mais descentralizado, enquanto que os foros decisórios continuam representando a
antiga ordem do pós-Segunda Guerra Mundial. A participação e incentivo ao G-20 Financeiro
pela política externa brasileira, especialmente após a crise econômica de 2008, faz parte da
estratégia de reformar e reformular os grupos decisórios. O G-8 não mais representa os
atores mais relevantes no cenário econômico global e, portanto, é preciso incluir as novas
economias emergentes nas instâncias de elaboração dos diversos regimes internacionais.
Uma das importantes inovações da política externa brasileira atual são os foros e
alianças Sul-Sul de cooperação e concertação. O país não apenas pretende aumentar a
participação dos países em desenvolvimento nos grupos que tradicionalmente abrigam
apenas países desenvolvidos, mas propõe alianças entre os países em desenvolvimento e os
de menos desenvolvimento relativo. Nessa categoria existem grupos regionais, como a
UNASUL e a CEALAC, inter-regionais, como a ASA e a ASPA, e alianças de geometria variável,
como o BRIC e o IBAS. No que se refere aos primeiros, é possível perceber um esforço de
ampliação da cooperação sul-americana e da América Latina e Caribe. A UNASUL, criada em
2008 e sucessora da CASA (2004), pretende consolidar-se como um foro essencialmente
político e promover a cooperação em segurança, saúde, finanças e outras áreas. A CEALAC,
ainda em processo de gestação, quer expandir a cooperação e a concertação para toda a
América Latina e Caribe. Esses foros buscam não apenas a integração, mas também a
coordenação de posições que fortaleçam a inserção internacional da região.
A ASPA (Cúpula América do Sul-Países Árabes) e a ASA (América do Sul-África), antigo
AFRAS, são cúpulas inter-regionais que promovem a cooperação e concertação política em
diversos eixos temáticos, de ciência e tecnologia a temas sociais. A ASPA foi criada em 2005
(Brasília) e teve sua segunda cúpula presidencial em 2009, em Doha. A ASA nasceu em 2006
e teve também uma segunda cúpula presidencial em 2009 (Isla Margarita). Ambos os grupos
têm forte aspecto cultural, a exemplo da BibliASPA, mas também apontam para o
surgimento de uma nova geografia comercial global.
O IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) e o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) são as
chamadas alianças de geometria variável, significando a flexibilidade na formação de
alianças tanto em sua composição quanto em seu tema. O IBAS surgiu em 2003, mesmo ano
da formação do G-20 Comercial, e se destaca pelo caráter de solidariedade periférica,
exercida por meio do Fundo IBAS de combate à fome e à miséria. O BRIC, acrônimo criado
pelo economista-chefe da Goldman Sachs, consolidou-se posteriormente em um grupo de
concertação e cooperação. O foro simboliza os novos tijolos da economia global.
A diversificação dos grupos decisórios dos quais o Brasil faz parte sinaliza a projeção
internacional acentuada do país em vários temas e em várias regiões. A maioria dos foros de
concertação mencionados defendem uma ampla reforma dos pilares do sistema
internacional, de forma a que o multilateralismo normativo reflita a multipolaridade real.