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Padrão de Resposta
O BRIC foi um termo originalmente cunhado por analistas de mercado para designar
economias em rápida expansão e que têm o potencial de alterar as estruturas da economia
mundial. Esse termo foi apropriado pelos formuladores de políticas de Brasil, Rússia, Índia e
China, que decidiram constituir, em 2008, na Cúpula de Ecaterimburgo, um agrupamento de
coordenação em temas da agenda bilateral. Por agrupamento deve-se entender a
coordenação, com baixo grau de institucionalização, de países, característica que confere
mais flexibilidade em suas atuações. Ademais, no início de 2011, a África do Sul aderiu ao
agrupamento, em uma ampliação que extrapolou o âmbito inicial do conceito formulado pelo
mercado e enfatiza o caráter político do, agora chamado, BRICS, que tem, entre seus
objetivos centrais, a coordenação da posição dos seus membros nos mais diversos temas
da agenda internacional. É importante ressaltar, nesse sentido, que apesar da coordenação
no âmbito do BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e, agora, África do Sul não atuam em
nome de um bloco nos diversos foros internacionais, mesmo porque há, em determinados
temas, divergências de interesses, o que, entretanto, não impede o diálogo construtivo.
No âmbito do comércio, a participação da Rússia é reduzida, pois essa não faz parte
ainda do regime da OMC. Não obstante, Brasil e Índia cooperam estreitamente para a
conclusão da Rodada de Doha, em que pesem algumas divergências pontuais quando da
última reunião ministerial em Genebra. No âmbito econômico e financeiro, a cooperação
entre os BRICS é ainda mais estreita, como é possível constatar nas articulações feitas em
face de crise financeira e nas propostas de reforma das instituições de Bretton Woods, de
modo a torná-las mais representativas da atual estrutura da economia mundial.
Simultaneamente, o BRICS defendeu maiores controles sobre capitais, com vistas a eliminar
movimentos especulativos.
No âmbito das discussões sobre o clima, parte dos membros do BRICS articulam-se
no agrupamento BASIC, formado por Brasil, África do Sul, Índia e China, atores
fundamentais nas discussões recentes a respeito do regime pós-Quioto. Diante do impasse
das negociações em Copenhague, em 2009, o BASIC apresentou acordo que propunha
reduções voluntárias nas emissões e reafirmou o princípio das responsabilidades comuns,
porém diferenciadas entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento.
No âmbito da segurança, o BRICS conta com dois membros permanentes no CSNU.
Em 2011, todos os membros do BRICS estão nesse órgão, o que indica a importância desse
grupo na estabilidade e promoção da paz. Um exemplo da coordenação do agrupamento foi
a abstenção conjunta de Brasil, Rússia, Índia e China na votação da resolução 1973, que
autorizou intervenção na Líbia. Ademais, o presidente sul-africano tem atuado no sentido de
mediar o conflito na Líbia por meio de conversas diretas com Muamar Kadafi.
O BRICS atua, portanto, em diversos tabuleiros da política internacional e seus
membros articulam-se, a despeito de divergências pontuais, para a reforma das instituições
da governança global, de modo a dotar as mais importantes instâncias decisórias do mundo
contemporâneo de mais representatividade e, consequentemente, mais legitimidade.