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Padrão de Resposta
A política externa argentina, sob o governo de Maurício
Macri, representou significativa inflexão em relação aos governos
Kirchner, sobretudo em aspectos econômicos e políticos.
No plano interno, Macri foi eleito sob a promessa de recuperar
o crescimento argentino, por meio de estímulos ao empresariado.
Houve também promessa de ajustes, os quais, no entanto, tiveram
dificuldade em sua implementação. Como consequência, o país passou
por diversas greves gerais durante o governo Macri. Em 2018, o país
teve de pedir socorro ao FMI diante da crise fiscal e da inflação
desenfreada. O empréstimo não foi suficiente para solucionar a crise e,
atualmente, novas negociações com o fundo são necessárias.
Externamente, o presidente Macri é a favor da liberalização
comercial, o que foi causa para dar novo vigor ao Mercosul. Como
resultado, foram bem sucedidas as negociações entre Mercosul e UE e
Mercosul e ETA, com conclusão de acordos comerciais abrangentes. O
diálogo político com os EUA melhorou, diante da amistosidade das
relações entre Trump e Macri. Com a diplomacia pautada por
interesses econômicos, o presidente argentino visa a melhorar a
economia doméstica, ampliando mercados para a produção argentina.
No plano regional, houve aproximação entre Mercosul e a
Aliança do Pacífico e, atualmente, existe uma virtual área de livrecomércio na América Latina. O presidente Macri participou dos
esforços para a criação do PROSUL, entidade que visa a aprimorar a
integração regional sob a égide da democracia. A política externa
argentina também tem importante atuação no Grupo de Lima. Como
consequência, não reconheceu o ilegítimo governo de Nicolás
Maduro e defendeu uma solução política e pacífica para a crise
venezuelana, a fim de lograr-se solução para a crise humanitária no
país. Nesse sentido, a Argentina, juntamente com o Brasil, integra o
Grupo de Lima e denunciou o tratado constitutivo da UNASUL.
De forma semelhante aos governos Kirchner, Macri
defende o pleito argentino pelas Ilhas Malvinas. Não obstante,
evita o confrontacionismo com o Reino Unido. Em sentido
contrário, Macri é a favor de maior liberalização comercial. Nesse
sentido, apoia as negociações do Mercosul com parceiros
extrarregionais. O governo Menem, por sua vez, foi caracterizado
pelo “realismo periférico” e por “relações carnais” com os EUA, o
que difere do atual governo argentino. Com efeito, há
estreitamento do diálogo político com os Estados Unidos, mas a
integração regional é prioridade na política externa.
Com a eleição de Macri, as relações bilaterais Brasil-Argentina
evoluíram positivamente. Em 2019, a convergência de visões dos
países na temática econômica resultou na promoção de acordos
extrarregionais do Mercosul, como o do EFTA e da UE. Atualmente,
negociações também ocorrem em relação à Coreia do Sul e Canadá. O
acordo com a UE é fundamentado em três pilares: cooperação, diálogo
político e livre-comércio. Dessa forma, além da área economia, há
melhora institucional no diálogo com parceiros extrarregionais e o
resultado é o fortalecimento da integração regional.
A política externa sob o governo Macri também é pautada
por esforços de combate ao terrorismo e de ilícitos transfronteiriços.
em 2019, a Argentina reconheceu que o Hezbollah é uma entidade
terrorista que, inclusive, atua na região da Tríplice Fronteira.
Juntamente com o Brasil, Paraguai e EUA, surge o Mecanismo 3+1
com o objetivo de conferir segurança à região.
A atuação internacional da Argentina, contudo, não teve
repercussão otimista no plano interno. A política externa de Macri
não foi capaz de assegurar-lhe amplo apoio da população, como
mostram as prévias de 2019. A situação doméstica e desafiadora em
relação à crise econômica, o que condiciona a diplomacia argentina.
A política externa do governo Macri, portanto, é caracterizada
por maior busca da liberalização comercial. No plano regional, já
reforço da integração no âmbito do Mercosul e aproximação da Aliança
do Pacífico. As relações com o Brasil evoluíram positivamente, com
convergências no Grupo de Lima e em negociações extrarregionais no
Mercosul. A situação de crise economia interna, por outro lado, é um
desafio à atuação externa de Buenos Aires.