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Padrão de Resposta
Os Estados Unidos tiveram papel
essencial no processo de integração da
Europa Ocidental no pós-Segunda Guerra
Mundial. Sua influência pode ser vista tanto
do ponto de vista político (contenção ao
comunismo), quanto do ponto de vista militar
(intervenções e ajuda militar) e econômico
(cooperação econômica, em especial o Plano
Marshall).
O Plano Marshall visou ao
fornecimento de ajuda econômica para a
reconstrução dos países da Europa Ocidental
após a guerra. Esse era seu discurso oficial,
mas na verdade inseria-se em contextos e
objetivos muito mais amplos. Já em 1947,
com o Discurso de Churchill da Cortina de
Ferro, a Doutrina Truman de Contenção à
expansão do comunismo (principalmente
na Europa), começa a se delinear. Os EUA
começam a delinear estratégias políticas e
econômicas para não perder dua influência
no continente, inclusive pelos débitos a
empréstimos americanos feitos no contexto
de Guerra. Truman vai pessoalmente ao
Congresso solicitar a abertura de créditos
para a Europa, em especial para dois países,
onde a influência do comunismo parecia
mais crítica: Turquia e Grécia. Começase, então, a delinear-se o Plano Marshall.
Como dito, oficialmente a ajuda não se
restringiria, inicialmente, apenas aos
países capitalistas, embora esse fosse o
objetivo real dos americanos. Contudo, na
Conferência de Paris (1947), que se destinava
a discutir os montantes do plano e os países
que receberiam ajuda, o objetivo americano
fica claro, o que gera a saída dramática de
Molotov da Conferência e a ordem para
que nações sob influência soviética não
aceitem a ajuda americana. Tal ultimato
é descumprido por Tito, que participará
do plano, sendo a Iugoslávia o único país
comunista que recebeu ajuda, sob condição
de não apoiar Stálin. Marshall, portanto, em
seu discurso, sublinha o papel dos europeus
no plano, pois caberia a esses assegurar seu
“efeito apropriado” (qual seja, a contenção
da URSS na Europa). Preocupava-o também,
especialmente, a França, onde o Partido
Comunista tinha forte presença no governo,
bem como a Alemanha, ainda dividida
em quatro zonas e que sofreria, em 1948,
o Bloqueio de Berlim (também dividida
em quatro zonas) pelos soviéticos. Nesse
sentido, para garantir o papel dos europeus
na execução do Plano, foi criada, em 1948,
a Organização Europeia para Cooperação
Econômica (OECE), que seria responsável
pela gestão dos recursos do Plano Marshall.
Posteriormente, a OECE se transformaria em
OCDE com reformulação de funções.
Era necessário, portanto, estimular,
a coesão intraeuropeia, evitando, assim,
que uma nova guerra trouxesse novamente
tamanha instabilidade ao continente. O
contexto de Guerra Fria se delineava e
países importantes que se imaginavam
sob influência americana, como a China,
pendem para o lado comunista com a
eclosão de revoluções nacionalistas. Os EUA,
portanto, passam a influenciar diretamente
o estabelecimento de acordo de cooperação
entre países da Europa Ocidental, seja no
plano político ou econômico. Além da criação
da OECE, o contexto do Plano Marshall,
há a criação da Corte Europeia de Direitos
Humanos (1949). Mais importantes serão,
no âmbito político-econômico, a celebração
do Tratado de Paris, em 1953, que estabelecia
a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço
e previa cooperação em áreas que foram
motivo de conflito na guerra, como o
vale do Ruhr. O acordo foi celebrado pelo
BENELUX (Bélgica, Holanda e Luxemburgo),
juntamente com França, Alemanha e Itália.
Em 1957, a cooperação se aprofunda com a
celebração do Tratado de Roma e a criação
das Comunidades Econômicas Europeias
(para cooperação em livre comércio) e
da Euratom, agência europeia de energia
atômica. Ambos os tratados tiveram notável
influência americana, sendo sua assinatura
influenciada pelo Plano Baruch (1946),
bem como pelo Programa Átomos para a
Paz (1953), de Eisenhower. O Plano Baruch
era uma proposta de compartilhamento/
cooperação em matéria atômica, assim
como o Átomos para a Paz, que focava na
cooperação para usos pacíficos.
As ajudas econômicas no Plano
Marshall e o acordo com os europeus
renderam frutos: na Grécia, os EUA
chegaram a enviar animais (mulas) de avião
para desenvolver o setor agropecuário e
tirar o país da crise. A Grécia entrou em
guerra civil, com embates entre comunistas
e capitalistas. Os EUA, juntamente com
o Reino Unido (já cumprindo os termos
de seu pacto “não escrito”), intervieram
no país garantindo a derrota de vez dos
comunistas em fins de 1940s. Na Turquia
e na França, o plano de ajuda econômica
também foi bem sucedido na contenção da
URSS. Faltava, portanto, a Alemanha, que
será palco de grande crise em 1948. Após
desentendimentos no âmbito do Conselho
Interaliado, que governava as 4 zonas de
Berlim, Stálin ordena o bloqueio terrestre de
Berlim até a resolução do impasse. Os EUA
não cedem por meses, enviando itens básicos
por meio de transporte aéreo. Já em 1947, no
Telegrama X, George Kennan havia alertado
sobre os ímpetos expansionistas de Stálin e a
necessidade de uma Doutrina de Contenção,
consubstanciada posteriormente. Todos
esses fatores convencem os americanos a
estabelecer, também no plano militar, o que
haviam estabelecido no plano econômico.
Assim, após o fim do Bloqueio aéreo de
Berlim, os países europeus e os americanos
assinam, em 1949, o Tratado de Washington,
Tratado da Organização do Atlântico Norte.
Tal tratado é aberto à adesão apenas de
países situados no Atlântico Norte (motivo,
por exemplo, pelo qual o Brasil nunca aderiu
a ele, mesmo em momentos de alinhamento)
e consolida, no âmbito militar, a aliança
intraeuropeia ocidental e destes países os
EUA. Em seu artigo 5º, o tratado dispõe acerca
de seu sistema de defesa coletiva e prevê que
a agressão a um país do tratado é considerada
uma agressão a todos. O estabelecimento
da OTAN engendra lógica de dissuasão
no âmbito da Guerra Fria, garantindo
tanto maior coesão na Europa Ocidental
(em torno de valores capitalistas), como
dissuadinimigasdo possíveis invasões soviéticas
à Alemanha ou países de “fronteira” com a
zona de influência soviética. Ele permitiu,
portanto, que, em geral, as intervenções
de Stálin se restringissem a países de sua
zona de influência (como Tchecoslováquia
e Hungria) e garantiu certa estabilidade. Em
resposta ao Tratado, foi celebrado o Pacto de
Varsóvia (1952), com objetivos semelhantes
por parte dos soviéticos. Também remonta
a esse contexto o estabelecimento de bases
americanas na Alemanha (que permanecem
até hoje e tiveram recente aumento de
contingentes com Joe Biden), bem como
a instalação de bases na Turquia, que
abrigarão silos nucleares e serão retiradas
na década de 1960, no contexto da crise
dos mísseis. Também foi estabelecido que
o Comando Civil da OTAN seria americano
e o Comando Militar, francês, situação que
só se alteraria com De Gaulle. Até os dias
atuais, a OTAN é um dos principais fóruns de
discussão e cooperação dos países da Europa
Ocidental, em especial no âmbito militar,
sendo símbolo, também, da cooperação
desses países com os Estados Unidos.