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Padrão de Resposta
A inimizade entre EUA e Irã teve início com a Revolução
Iraniana de 1979. Até então, o regime do Xá Reza Pahlevi era
grande aliado dos EUA na Guerra Fria, com regime ocidentalizado.
Com a revolução – episódio dos reféns na embaixada de Teerã foi
emblemático – as relações diplomáticas foram rompidas entre os
EUA de Carter e o Irã do Aiatolá Khomeini. A Guerra Irã-Iraque
(1980-1988) foi instigada pela invasão iraquiana, com apoio dos
EUA a Saddam Hussein. Desde então, os EUA se aproximaram mais
da Arábia Saudita (rival iraniano) e o Irã usa “forças proxy” para
ampliar seu poder no Oriente Médio, com apoio ao Hamas, ao
Hezbolá (Guerra Civil Libanesa) e, mais recentemente, a Assad na
Síria e a forças xiitas no Iraque, todos contrários aos desígnios dos
EUA na região (e seu aliado maior, Israel). As ameaças iranianas de
fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, por onde passa
boa parte do petróleo mundial, também têm o fito de antagonizar
os EUA, cuja marinha faz operações de livre-navegação com outros
aliados, como os sauditas.
O programa nuclear iraniano, contudo, é a maior fonte de
tensão entre os dois países. O regime do Xá tinha programa
baseado no “Átomos para a Paz”, de Eisenhower, que foi
descontinuado com a Revolução de 1979 – a grande causadora do
II Choque do Petróleo. Nos anos 1980 e 1990, O Irã desenvolvia um
programa de mísseis relativamente sofisticado, e reiniciou o
programa nuclear de forma gradual. A comunidade internacional
começou a preocupar-se com o tema em 2002, quando denúncia
de um físico nuclear sobre a planta de Natanz para enriquecimento
de urânio veio à tona. O Irã fazia então parte do “eixo do mal” de
George W. Bush. Os EUA adotam sanções ao regime. A AIEA
também fez alertas sobre o programa iraniano. O país era parte do
TNP e da AIEA, mas não assinara o protocolo adicional aos
protocolos de salvaguarda, que permitiriam inspeções extensas da
agência. Sanções foram adotadas no CSNU em 2006. Em 2009,
contudo, o governo Obama deixou clara sua disposição de negociar
com o Irã. Na Cúpula de L’Aquila do G8 (2009), os EUA pediram ao
Brasil que mediasse as negociações, dados os bons canais entre
Brasil e Irã. O Acordo de Teerã (2010), entre Irã, Brasil e Turquia
promovia a troca de urânio enriquecido por combustível nuclear
para reator de pesquisa do Irã, vindo da Turquia. Os EUA, então,
mudaram de postura e rejeitaram o acordo: afirmaram que não
dava garantias de que o programa iraniano não prosseguiria. Nova
rodada de sanções é imposta ao país persa em 2010 no CSNU, com
voto contrário do Brasil e Turquia, que achavam que a rejeição do
acordo se deu pelos EUA não terem participado, apenas.
Negociações entre os chamados P5+1 (EUA, Rússia, França,
China e Reino Unido, além da Alemanha) prosseguem nos anos
seguintes. Chega-se a um acordo provisório em Genebra em 2013
e, finalmente, no Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), de
2015. Acorda-se um limite ao enriquecimento de urânio iraniano
(20%) e a proibição de quaisquer atividades relacionadas a um
programa nuclear militar. Em troca, as sanções são levantadas, o
que revitaliza a economia iraniana entre 2016 e 2017. São
anunciados diversos investimentos europeus, inclusive de
montadoras e venda de aviões, ao país persa. Em 2017, contudo,
Donald Trump chega ao poder nos EUA. Abertamente contrário ao
acordo de 2015, que afirmava não contemplar o programa de
mísseis iraniano, nem o uso de “forças proxy” pelo país no Oriente
Médio, nem garantia que os recursos do levantamento de sanções
não fossem utilizados para desenvolver uma bomba nuclear no
futuro, Trump pondera a retirada dos EUA. Não renova a garantia
semestral de que o Irã o cumpria, em 2017, e efetivamente o
denuncia em 2018. Os europeus tentam manter-se, criam
mecanismo de pagamentos (Instex) para contornar as sanções dos
EUA, mas o Irã também começa a descumprir o acordo. No início
de 2020, os EUA matam comandante iraniano das Forças Quds
(Soleimani). Em 2021, Biden chega ao poder nos EUA: negociações
indiretas entre Irã e os EUA em 2021 e 2022 não prosperaram, já
que os EUA querem que o Irã retome os compromissos do JCPOA
antes de retornarem, o Irã exige primeiro o levantamento de
sanções. Em 2022, físico nuclear iraniano é assassinado em Teerã:
o parlamento vota lei para elevar o enriquecimento a 20% que,
atualmente, já passa de 60% (Natanz e Fordo). O Irã, assim, tem-se
aproximado do Oriente: acordo de investimentos com a China e
ingresso na OCX, em 2022.