O candidato deve demonstrar como a diplomacia brasileira navega em um hemisfério fragmentado politicamente. A relação com os EUA ilustra bem essa volatilidade: em 2024, ano do bicentenário diplomático, a presença de uma administração democrata (governo Biden) em Washington propiciou uma alta convergência de interesses em pautas progressistas, resultando em parcerias na transição energética, defesa incondicional da democracia e promoção dos direitos trabalhistas. Em contrapartida, o candidato deve argumentar que as relações alteram-se estruturalmente com a ascensão de visões pautadas no nacionalismo econômico agressivo (comum às plataformas republicanas de viés protecionista). Nesse cenário de transição, a política do Itamaraty abandona o idealismo dos valores compartilhados para adotar um pragmatismo estrito (uma diplomacia transacional e de 'contenção de danos'), focada em defender o mercado exportador brasileiro frente a medidas protecionistas estadunidenses sem romper laços estratégicos.