O candidato deve contrastar as duas eras doutrinárias fundamentais. Durante os anos 1970 (governo Geisel), o 'Pragmatismo Responsável' foi o motor da aproximação brasileira com o Mundo Árabe. Essa política abandonou o alinhamento automático ideológico ao bloco ocidental/americano e passou a focar estritamente em interesses materiais e na segurança do Estado: a necessidade desesperada de garantir o fornecimento de petróleo (evidenciada na parceria profunda com o Iraque) e a abertura de novos mercados de exportação para aliviar a balança comercial frente à crise do petróleo. Por outro lado, a diplomacia 'Ativa e Altiva' dos governos Lula (2003-2010) expandiu esse engajamento para além da racionalidade estritamente comercial e energética. Sem abandonar o comércio, adicionou-se uma robusta vertente política: a busca por protagonismo global do Brasil como potência emergente do Sul Global, a articulação do fórum ASPA (Cúpula América do Sul - Países Árabes) e a tentativa de atuar como mediador autônomo em tensões geopolíticas regionais (como a questão nuclear iraniana e os debates envolvendo Israel e Palestina).