O candidato deve abordar a formação territorial e institucional da América Portuguesa como um processo dinâmico, marcado pela tensão entre o ideal jurídico e a prática da ocupação. Inicialmente, deve-se ressaltar a abstração do Tratado de Tordesilhas como um limite imaginário, confrontado pela realidade da 'ocupação simbólica' e a ameaça de outras potências (como a França), que forçaram a Coroa a buscar modelos mais efetivos de colonização.
Em seguida, o padrão de resposta deve analisar a evolução institucional: as Capitanias Hereditárias como uma tentativa de descentralizar custos e riscos, e seu fracasso generalizado (exceto Pernambuco e São Vicente) devido a fatores como falta de recursos dos donatários, resistência indígena e grandes distâncias. A instituição do Governo-Geral deve ser apresentada não como uma extinção das capitanias, mas como uma 'camada administrativa sobreposta', que coexistiu com elas por séculos, evidenciando a 'curva de aprendizado' da Coroa na gestão colonial e a busca por centralização administrativa, justiça e defesa.
A dissertação deve aprofundar a análise da expansão territorial para o interior, destacando a iniciativa privada dos colonos (bandeirantes) em contraste com as expedições oficiais (entradas). É crucial diferenciar as modalidades do bandeirismo (preação, prospecção e contrato), explicando como o bandeirismo de prospecção, impulsionado pela descoberta do ouro, foi o principal vetor de fixação populacional e rompimento efetivo da linha de Tordesilhas, especialmente facilitado pela União Ibérica. Deve-se mencionar as economias do sertão (pecuária, drogas do sertão, mandioca) como elementos cruciais para sustentar essa interiorização.
Finalmente, o candidato deve abordar a consolidação jurídica das fronteiras, enfatizando o Tratado de Madri (1750) e o princípio do uti possidetis, defendido por Alexandre de Gusmão, como o reconhecimento diplomático da posse de fato. A Guerra Guaranítica deve ser apresentada como a consequência sangrenta da desconsideração dos povos indígenas e um fator que levou à anulação do tratado pelo Tratado de El Pardo (1761). O Tratado de Santo Ildefonso (1777) deve ser analisado como o acordo que, apesar de concessões territoriais (Colônia do Sacramento e Sete Povos), finalmente pacificou e consolidou as fronteiras meridionais, aproximando a América Portuguesa de sua configuração atual.
Por fim, a resposta deve integrar a análise das 'Revoltas Nativistas' (Beckman, Emboabas) como manifestações de tensões internas e disputas por interesses locais, que, embora não separatistas, revelavam as fraturas da sociedade colonial e a insatisfação com aspectos específicos da dominação metropolitana. A conclusão deve reforçar a ideia de que a formação do Brasil foi um processo complexo, resultado da intersecção de decisões metropolitanas, iniciativas privadas dos colonos, resistências indígenas, conflitos com outras potências e adaptações econômicas e institucionais, onde a realidade do terreno muitas vezes moldou e redefiniu os acordos jurídicos.