Com base no conteúdo estudado sobre o tema, julgue (C ou E) os itens a seguir.
A Revolução Liberal do Porto de 1820 apresentou um paradoxo intrínseco: embora impulsionada por ideais liberais de soberania e constitucionalismo para Portugal, sua agenda externa era reacionária e mercantilista, buscando a recolonização do Brasil e o restabelecimento do monopólio comercial, o que inviabilizou a manutenção de uma monarquia constitucional luso-brasileira unificada.
A independência do Brasil, em sua fase final, pode ser interpretada como um contramovimento conservador da elite brasileira contra a revolução liberal em Portugal, pois buscou preservar a monarquia, a unidade nacional e, fundamentalmente, a instituição da escravidão, em face do temor de fragmentação social e republicanismo que o radicalismo das Cortes poderia inspirar.
José Bonifácio de Andrada e Silva, principal estrategista do movimento de independência, defendeu um projeto de modernização conservadora que, embora pessoalmente abolicionista, priorizou a construção de um Estado-nação forte e unificado sob a monarquia, postergando a questão da abolição da escravatura para não alienar a aristocracia rural, cujo apoio era crucial para a consolidação do novo Império.
O 'liberalismo escravista' que se consolidou com a independência do Brasil representou uma forma heterodoxa de liberalismo, na qual o discurso sobre direitos e liberdades individuais se estendia universalmente a todos os habitantes do novo Império, incluindo a vasta população escravizada, sendo a monarquia constitucional o invólucro institucional perfeito para esse projeto de emancipação social.